Nueva Etapa de la revista La Pecera

que inició su recorrido durante la crisis argentina del 2001 hasta el año 2009, en que dejó de publicarse en papel , hasta 2016,  en que reaparece con el Nro 15.

 "Ningún pez es demasiado raro para tu pecera" es el lema de la revista, inspirado en la conocida novela de D. H. Lawrence, señalando la heterogeneidad de contenidos y lenguajes. Y también, una apuesta por autores, poéticas y pensamientos a contrapelo.

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La PECERA.ne

ISSN 1666-8782

Fundada en Mar del Plata, otoño de 2001 © Editorial Martín y O. Picardo

DIRECTORES:

Osvaldo Picardo  y  Héctor Freire.

© 2016 Big Fish para La Pecera. Creado con Wix.com 

lapeceralibros@gmail.com

DIRECCIÓN POSTAL: Av. Pueyrredón 2387  5º Piso.  (1119) Capital Federal 

WESLEY PERES: POEMAS

Wesley Peres nasceu em Goiânia (GO), em 1975. Atualmente mora em Catalão (GO). É mestre em estudos literários pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e doutorando em psicologia clínica e cultura pela Universidade de Brasília (UnB). Autor dos romances “Casa entre vértebras” (Editora Record), vencedor do Prêmio Sesc de Literatura 2006, e "As pequenas mortes" (Editora Rocco). Seus livros de poesia são: "Palimpsestos" (Editora da UFG), vencedor da Coleção Vertentes; "Rio Revoando" (USP/COM-ARTE); e "Água anônima" (AGEPEL), Prêmio Bolsa Cora Coralina 2001.

Ela, a que não escreverei,
a que me rascunha os ventos e me arranha a língua,
caos entremeando-me os dedos,
ela, a que me escreve em suas cartas.
            
(De “Palimpsestos”, p. 59)

***

E se ela sente saudades da noite,
envio-lhe, em palavras,
uma concha, por exemplo,
ou simplesmente pronuncio seu corpo em aramaico:
caos, cuja chave é do lado de dentro.

(De “Palimpsestos”, p. 97)

***

Tão humana quanto um demônio sonhando, ela
me sopra o húmus da-alguma-mulher-que-se-abraça-e-diz:
A lua sabe a minha chuva,
anjos são mulheres que escolheram a noite;
sem lua, é outra a beleza da noite.

(De “Palimpsestos”, p. 99)


***

Percorre como um caule ou a morte,
percorre como a mão percorre o tempo
ou como a superfície do vento se percorre,
percorre, mortalmente, uma rua numa tarde sem estrelas
e em que a neve brilha o brilho de um corpo
ou das frases nuas enrolando um demônio morto
um vidro quebrado no asfalto: intermeando o vidro e o passante,
por sobre o reflexo torto, uma formiga, espremida pela imagem
que transita entre o vidro e o passante, numa linguagem nua
movida a raios de lua ou de sol ou pela coisa nenhuma
pensada agora pelo passante que percorre.
       
(De “Rio Revoando”, p. 40)

***

Então,
em meio à eternidade,
ardia-lhe o gume
de não ser humano,
de não mais ser aquela fratura imposta,
e, sobretudo, doía-lhe aquela noite,
a única possível no depois da morte.
        
(De “Rio Revoando”, p. 77)

***

Caderno existencial

E depois do entre lâmina e água, o nada
cala esse algum observador de ventos;
deserta-o para nem dizê-lo, para
alá-lo, nem entredizê-lo nunca.
E o quem observa só se fala em frinchas:
do nada, são palavras, as aquelas,
ou, sim, o mesmo, a plena ausência delas.
        
(De “Rio Revoando”, p. 78)